06/06/2002 - Brasil : privacidade
Ford demite dois por pornografia
Roney Domingos
Do Diário do Grande ABC
A GM demitiu primeiro 11 funcionários de São Caetano e de São José dos Campos sob a alegação de que usavam os terminais de computador da empresa para transmissão de e-mails pornográficos. Mas a Ford analisava há pelo menos 30 dias a demissão de dois funcionários envolvidos em casos parecidos. Quarta, a montadora confirmou a demissão por justa causa de Márcio Cava e Renato dos Santos, que trabalhavam na unidade de São Bernardo. A caixa postal que eles utilizavam foi apontada como destinatária de uma mensagem que continha a figura de uma suposta mulher nua uma brincadeira que convidava o receptor a adivinhar o sexo da personagem. O e-mail circulou entre os terminais da fábrica e chegou às mãos de uma funcionária da Ford no Canadá, que acionou a matriz da empresa nos Estados Unidos com ameaça de processo por assédio sexual.
A assessoria de imprensa da Ford confirmou nesta quarta a demissão por justa causa dos dois funcionários envolvidos no caso. A empresa alega que todos os empregados recebem treinamento para evitar esta prática, de acordo com as normas globais da companhia. O coordenador da comissão de fábrica da unidade de São Bernardo, Rafael Marques Jr., disse nesta quarta que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tentou intermediar uma decisão mais branda. "Existe uma política global, mas a Ford nunca priorizou o treinamento do pessoal contra abusos."
De acordo com ele, a Ford chegou a propor a demissão sem justa causa, com pagamento do pacote de direitos normalmente atribuídos aos funcionários que aderem aos programas de demissão voluntária. Mas para evitar pagar a multa por quebra da estabilidade dos funcionários garantida em acordo até 2006, a montadora decidiu aplicar a demissão por justa causa. Marques Jr. disse que os empregados demitidos são portadores de doenças profissionais e vão recorrer à Justiça do Trabalho para reaver seus direitos.
Marques Jr. afirmou que os funcionários demitidos trabalhavam na linha de montagem até o fim do ano passado. Com o fim da terceirização do serviço de logística, foram transferidos para o controle de produção, mas não receberam informação adequada sobre o uso do programa de computador Microsoft Outlook. "Veio informação em inglês que o pessoal deu como ciente." O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC vai incluir o uso da Internet na próxima convenção coletiva. De acordo com Marques Jr., a Otis Elevadores também já demitiu um funcionário por uso indevido do sistema. (©Diário do Grande ABC)
E-mail causa demissões na Ford
VITOR NUZZI
Montadora dispensou por justa causa dois funcionários da fábrica de São Bernardo. Sindicato diz que a empresa foi intransigente e quer readmissão
Depois da General Motors, agora é a Ford que demite trabalhadores por causa do uso do correio eletrônico. Dois funcionários da fábrica de São Bernardo foram dispensados por justa causa. Eram da produção e tinham sido transferidos para o setor de logística. A decisão teria partido da matriz, nos Estados Unidos. A Ford disse que a medida obedece a uma política global do grupo.
O caso vinha sendo discutido há 40 dias, passando pela gerência e pela diretoria de recursos humanos da Ford, até chegar à presidência. A empresa foi intransigente e submissa (em relação à decisão da matriz), criticou o diretor do sindicato Rafael Marques.
Segundo ele, a Ford não tem uma política clara em relação ao assunto. Além disso, os funcionários estavam só há três meses no setor. Pelo tempo, o treinamento foi falho. E a própria empresa reconhece que eles são bons empregados.
O prensista Márcio dos Santos Cava casado, 36 anos, 13 de Ford , um dos demitidos, contou que recebeu um jogo com fotos, mas negou ter retransmitido a mensagem. Como o e-mail fica aberto, qualquer um poderia mandar. Para ele, a empresa foi muito rigorosa. Se eu tivesse roubado ou causado algum dano, estaria envergonhado. Mas não houve nada disso.
Portador de doença profissional sofreu três cirurgias na coluna , Márcio tinha direito à estabilidade. Ele vai entrar na Justiça pedindo reintegração. (©Diário de S.Paulo)
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