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28/08/2002 - Brasil : transporte
Greve de caminhoneiros termina em São José e esquenta no RS
Greve de caminhoneiros
termina em São José e esquenta no RS
LÉO GERCHMANN
da Agência Folha, em Porto Alegre
da Folha Vale
Os primeiros incidentes mais graves na greve de caminhoneiros do
Rio Grande do Sul ocorreram na madrugada de hoje, com
manifestantes apedrejando motoristas que passavam pelos
municípios de Morrinhos do Sul, Três Cachoeiras e Terra de
Areia, em direção a Santa Catarina, na BR-101.
Também houve registro de incidentes ao longo da BR-290, que
igualmente conduz para o litoral norte e a divisa com Santa
Catarina. Na BR-101, o trânsito teve de ser desviado pela
Estrada do Mar, a fim de evitar novos incidentes. O fluxo voltou
a ser liberado na rodovia apenas às 7h.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, havia perigo em
concentrações de grevistas entre Cruz Alta e Ijuí. Os
manifestantes ficaram parados no km 461 da BR-285, no trevo de
acesso a Cruz Alta, e na altura do km 455, em frente ao posto de
combustíveis Lambari. Em Ijuí, na BR-158.
Os policiais ficaram em estado de alerta, especialmente na
BR-101, mas a movimentação, a partir do meio da manhã, foi
considerada bastante calma.
O presidente do Sindicato das Transportadoras de Cargas, João
Pierotto Neto, lamentou as ações contra caminhões de empresas
e disse temer novos ataques à noite.
Final pacífico
Terminou na noite de segunda a adesão dos motoristas do Vale do
Paraíba à greve nacional dos caminhoneiros, o ''''paradão''''.
Cerca de 300 motoristas que fazem o transporte de combustível
para cidades do Vale, litoral norte de São Paulo e sul de Minas
Gerais haviam aderido à greve. Até o início da noite de ontem,
eles haviam suspendido a retirada de combustíveis na Revap
(Refinaria Henrique Lage), em São José dos Campos (91 km de
SP).
No entanto, a distribuição de combustíveis começou a se
normalizar durante a noite.
A decisão de suspender a greve foi tomada após cerca de 14
horas de paralisação.(©Folha Online)
Governo deve receber
na quinta líderes da greve dos caminhoneiros
da Folha de S.Paulo, em Brasília e Rio
da Agência Folha
Os organizadores do "paradão", a greve nacional dos
caminhoneiros, deverão se reunir na quinta com integrantes do
governo no Palácio do Planalto para receber uma contraproposta
à pauta de reivindicações.
Alguns pontos serão atendidos, mas o governo não divulgou
quais.
Na semana passada, os caminhoneiros entregaram as
reivindicações ao governo e se encontraram com integrantes dos
ministérios da Justiça, de Minas e Energia e dos Transportes.
Os caminhoneiros querem redução do preço do óleo diesel em
30% e congelamento do valor por seis meses, mais segurança nas
estradas, financiamento de rastreadores com juros subsidiados,
instalação de equipamentos de rádio nos postos da Polícia
Rodoviária e cumprimento do vale pedágio.
Organização
A greve dos caminhoneiros está sendo organizada pela Fetrabens
(Federação Interestadual dos Caminhoneiros Autônomos) e obteve
o apoio do MUBC (Movimento União Brasil Caminhoneiro). Nas
últimas greves, em 1999, 2000 e 2001, apenas o MUBC esteve à
frente da organização.
As duas entidades divergem quanto aos números da greve. Segundo
o MUBC, por volta de 65% da categoria aderiu; segundo Fonseca,
80% tomaram parte na paralisação.
Consequências
Hoje, as consequências da greve foram bastante visíveis no
porto de Santos, o maior do país. A greve provocou a suspensão
das operações em 9 dos 27 navios atracados no cais público do
porto de Santos. Todos aguardavam para embarcar açúcar, mas
nenhum tinha capacidade para realizar a operação por meio de
equipamentos automáticos.
Segundo a assessoria da Codesp, que administra o porto, a
movimentação dos demais produtos de exportação não tinha
sido interrompida porque os navios estavam recebendo mercadorias
já armazenadas.
A Ceasa (Central de Abastecimento) do Rio informou que ontem o
movimento de caminhões foi normal, mas que, como a greve é mais
intensa no Sul, a entrega de produtos como maçã, batata e
cebola podem começar a ser afetadas hoje ou amanhã.
Na região de Araraquara (SP), caminhoneiros entraram em
confronto, segundo Heraldo Gomes de Andrade, coordenador da greve
em São Paulo.(©Folha Online)
Greve dos
caminhoneiros deve continuar até quinta-feira, diz sindicato
ELAINE COTTA
da Folha Online
A greve nacional dos caminhoneiros autônomos deve continuar pelo
menos até a próxima quinta-feira, dia 29, de acordo com
informações dos sindicatos que organizam a paralisação. Cerca
de 70% da categoria está parada em 14 Estados do país.
Segundo o presidente do sindicato União Brasil Caminhoneiro,
Nélio Botelho, a definição sobre o rumo da paralisação será
discutida numa reunião que acontece em Brasília, na
quinta-feira, entre os representantes dos caminhoneiros e o
Ministério dos Transportes.
A realização da reunião, no entanto, não foi confirmada pelo
Ministério.
"Os caminhões da Baixada Santista vão ficar parados até o
dia 29'''', afirma o presidente do Sindicam (Sindicato dos
Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada
Santista e Vale do Ribeira), Heraldo Gomes de Andrade. Segundo
ele, a adesão dos grevistas na região é de 100%.
"Os caminhões que chegam ao porto de Santos vêm de brechas
que se abriram no interior do Estado, principalmente nas regiões
próximas das usinas de açúcar, em Araras, Ribeirão Preto e
Limeira'''', disse Gomes.
Segundo Botelho, do União Brasil, esses veículos pertencem, na
sua maioria, à empresas que não aderiram ao movimento, e não
prejudicarão o andamento do protesto. ''Apesar dessas empresas
estarem operando, não acredito que vai haver transporte
suficiente'''', disse.
No porto de Santos, cerca de 124 mil toneladas de açúcar
destinadas à exportação deixaram de ser embarcadas esta manhã
por causa da paralisação, segundo dados da Codesp (Companhia
Docas do Estado de São Paulo).
Botelho voltou a afirmar que a greve é espontânea e que a
orientação dos sindicatos é para que não haja protestos ou
piquetes, como os que aconteceram esta tarde no Rio de Janeiro,
no Porto de Santos e no Rio Grande do Sul.
"Insistimos que a paralisação é pacífica e que a nossa
estratégia é de não haver piquetes ou interrupção de
estradas'''', disse.
Na madrugada de hoje, manifestantes apedrejaram motoristas que
passavam pelos municípios de Morrinhos do Sul, Três Cachoeiras
e Terra de Areia, em direção a Santa Catarina, na BR-101. Em
Santos, caminhões de empresas que tentaram embarcar mercadorias
no porto tiveram seus pára-brisas atingidos por
paralelepípedos.(©Folha Online)
Greve de caminhoneiros
gera confusão no porto de Santos
ELAINE COTTA
da Folha Online
No porto de Santos, a paralisação dos caminhoneiros já
provocou confusão entre os motoristas autônomos e os veículos
pertencentes às empresas transportadoras, que não aderiram ao
movimento grevista.
Segundo o Sindisan (Sindicato das Empresas de Transporte
Comercial de Carga do Litoral Paulista), algumas empresas que
tentaram operar no Porto de Santos com veículos próprios
tiveram seus caminhões atingidos por paralelepípedos nos
pára-brisas.
De acordo com dados da Codesp (Companhia Docas do Estado de São
Paulo), nove dos 27 navios que estão atracados no Porto de
Santos estão parados, ou seja, não podem ser carregados ou
descarregados devido à paralisação.
Segundo a empresa, os outros navios só estão tendo suas cargas
movimentadas porque estão atracados em área de terminais, que
não dependem de transporte de cargas vindo de fora da região do
porto(©Folha Online)
Greve de caminhoneiros
já atinge 70% no país, diz sindicato
ELAINE COTTA
da Folha Online
da Folha de S.Paulo, no Rio
da Agência Folha
A paralisação dos caminhoneiros atinge em média 70% da
categoria em 14 Estados do país, segundo avaliação do
presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio
Botelho.
Ele afirmou que a orientação da categoria é que os
caminhoneiros fiquem em casa e não obstrua as estradas. A
Polícia Rodoviária Federal não registrou nenhum incidente
grave nem congestionamento devido à greve, informou em Brasília
o Ministério da Justiça.
A greve, que começou no domingo, pode provocar desabastecimento
de combustível e alimentos em diversas regiões, entre elas os
Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Os caminhoneiros têm as mesmas reivindicações do movimento
deflagrado em julho de 1999: adoção de uma tabela nacional de
fretes, redução de 30% e congelamento por seis meses do preço
do óleo diesel, transferência das multas e do custo dos
pedágios para as transportadoras e mais segurança nas estradas.
"Os caminhoneiros estão em casa, não foram trabalhar. Essa
é uma paralisação espontânea que irá continuar até se
confirme alguma negociação em Brasília'''', disse o
vice-presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Três
Cachoeiras, no Sul do país, Osvaldo Scheffer Boff.
O presidente do União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho,
afirma que a paralisação dos caminhoneiros do Sul do país é o
que mais poderá afetar o abastecimento, não só de
combustível, mas também de alimentos.
Segundo Botelho, é possível que, nas próximas 24 horas, os
Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, já apresentem falta de
produtos frigoríficos, como carne e presunto. "Poderá
faltar também arroz - que vem muito do Sul, e feijão'''', disse.
No Sul do país, segundo o Sindicato dos Caminhoneiros de Três
Cachoeiras, a paralisação atinge mais de 60%.
Manifestação no Rio
No Rio de Janeiro, cerca de cem caminhoneiros fizeram uma
manifestação na rodovia Rio-Bahia, entre Três Riose e Barra
Mansa. Segundo a Polícia Rodoviária do Rio, os caminhões
ficaram parados por meia hora no acostamento e pátio de um posto
de gasolina, e não chegou a prejudicar o tráfego no local.
Porto de Santos
No porto de Santos, a paralisação dos caminhoneiros provocou
tumulto entre os motoristas autônomos e os veículos
pertencentes às empresas transportadoras, que não aderiram ao
movimento grevista.
Segundo o Sindisan (Sindicato das Empresas de Transporte
Comercial de Carga do Litoral Paulista), algumas empresas que
tentaram operar no porto de Santos com veículos próprios
tiveram seus caminhões atingidos por paralelepípedos nos
pára-brisas.
De acordo com dados da Codesp (Companhia Docas do Estado de São
Paulo), nove dos 27 navios que estão atracados no Porto de
Santos estão parados, ou seja, não podem ser carregados ou
descarregados devido à paralisação.
Segundo a empresa, os outros navios só estão tendo suas cargas
movimentadas porque estão atracados em área de terminais, que
não dependem de transporte de cargas vindo de fora da região do
porto.
Ontem, o movimento praticamente interrompeu o trânsito de
caminhões na faixa do porto de Santos (SP), o maior do país. As
operações de carga e descarga somente não pararam totalmente
devido ao volume de mercadorias estocado nos armazéns do cais.
Pelo menos sete navios não puderam operar.(©Folha Online)
Caminhoneiros fazem
manifestação pacífica na Rio-Bahia
da Folha Online, no Rio
Cerca de cem caminhoneiros fizeram uma manifestação na rodovia
Rio-Bahia, entre os municípios de Três Rios e Barra Mansa, no
norte do Estado do Rio.
Segundo a Polícia Rodoviária do Rio, os caminhões ficaram
parados por meia hora no acostamento e pátio de um posto de
gasolina, e não chegou a prejudicar o tráfego no local.
A paralisação dos caminhoneiros atinge em média 70% da
categoria em 14 Estados do país, segundo avaliação do
presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio
Botelho. A Polícia Rodoviária Federal não registrou nenhum
incidente grave devido à greve, informou em Brasília o
Ministério da Justiça.
Os caminhoneiros têm as mesmas reivindicações do movimento
deflagrado em julho de 1999: adoção de uma tabela nacional de
fretes, redução de 30% e congelamento por seis meses do preço
do óleo diesel, transferência das multas e do custo dos
pedágios para as transportadoras e mais segurança nas estradas.
O presidente do União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho,
afirma que a paralisação dos caminhoneiros do Sul do país é o
que mais poderá afetar o abastecimento, não só de
combustível, mas também de alimentos.
Segundo Botelho, é possível que, nas próximas 24 horas, os
Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, já apresentem falta de
produtos frigoríficos, como carne e presunto. "Poderá
faltar também arroz - que vem muito do Sul, e feijão'''', disse.
No Sul do país, segundo o Sindicato dos Caminhoneiros de Três
Cachoeiras, a paralisação atinge mais de 60%.(©Folha Online)
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