21/07/2006 -
VarigLog é a nova dona da Varig
Companhia é arrematada por US$ 505 milhões. Em três dias sai lista de demissão de 8 mil
Depois de 13 meses em recuperação judicial, a Varig foi arrematada ontem em leilão por US$ 505 milhões pela Aero Transportes Aéreos S.A, razão social da ex-subsidiária de logística e transporte de cargas VarigLog. Oito horas após o martelo ter sido batido, porém, a companhia anunciou que vai operar apenas a ponte aérea, de hoje até o dia 28.
A freqüência nessa rota aumentou de 10 para 36 vôos diários, mas estão suspensos todas as demais linhas nacionais e internacionais. A Varig informa que os passageiros com passagens nesse período serão acomodados em outras companhias aéreas.
O preço pago pela VarigLog inclui US$ 20 milhões, que já foram desembolsados para custear a operação da companhia aérea até sua venda. Outros US$ 485 milhões estão reservados para investimento e obrigações que a VarigLog terá de assumir, nos próximos 10 anos, para contribuir com a redução do passivo de R$ 7,9 bilhões da companhia. O juiz Paulo Roberto Fragoso, que integra a comissão de juízes responsáveis pela recuperação judicial da Varig, disse que o
negócio seria homologado ainda ontem.
"Para aqueles que apostaram que a Varig ia morrer, renasce aqui uma nova Varig. Não tenho medo do futuro", afirmou o presidente da Varig, Marcelo Bottini, logo após ter batido o martelo do leilão, que durou em torno de 20 minutos. Em até 3 dias, deverá ser divulgada uma lista com as demissões que serão realizadas, cerca de 8.000, e a nova diretoria da companhia.
Nos próximos 60 dias, a VarigLog deverá contratar 1.680 trabalhadores para a nova Varig, que deverá iniciar sua operação com 15 aeronaves. A informação é do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que tomou conhecimento do planejamento em reunião com a VarigLog realizada esta semana. Ontem, a Varig informou que tem em torno de 10.000 empregados e está voando com 13 aviões, de uma frota de cerca de 60 unidades. Nos próximos 12 meses, a idéia da VarigLog é ter uma frota de 30 aviões, com uma média mensal de até 2 jatos novos e a conseqüente contratação de até 110 empregados por avião.
"Temos inúmeros problemas a serem superados nos próximos 30 a 60 dias. Nossa luta não acabou com o leilão", disse a presidente do SNA, Graziella Baggio. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, contou que os sindicatos pedirão uma audiência com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para discutir a situação dos empregados da Varig que serão demitidos.
Funcionários da Varig relatam que o programa de milhagem Smiles, com 6 milhões de usuários e R$ 70 milhões de milhas a serem honradas, estaria sendo negociado para a Aeroplan, programa de milhagem da Air Canada. Pelo plano de compra da VarigLog, o Smiles ficaria na nova Varig e a ex-subsidiária se comprometeu a honrar seu passivo de R$ 70 milhões. "Em relação à Aeroplan, não só ela como outras empresas nós estamos tentado atraí-las para participar desse novo etapa da Varig. Não tem nada fechado ainda, nada assinado com ninguém", afirma o presidente do conselho de administração da VarigLog, Marco Antonio Audi.
Além do Smiles, a nova Varig herdará a marca principal e a da subsidiária Rio Sul, além das concessões de rotas dessas duas empresas. Também terá toda a operação comercial, que inclui a venda de passagens. A redução do passivo de R$ 7,9 bilhões da companhia ficará a cargo da chamada Varig antiga, que vai operar com a marca Nordeste apenas um vôo, o de ida e volta Congonhas-Porto Seguro.
Essa empresa deverá contar com duas aeronaves para fazer fretamento para a nova Varig, num contrato de 3 anos que deverá render receita de R$ 15 milhões. Também está previsto um centro de treinamento de pilotos, que será alugado pela nova Varig por 10 anos, o que vai render um faturamento de R$ 10 milhões nesse período. A Varig antiga também receberá aluguel de todos os imóveis da empresa.
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, disse que a Varig tem 30 dias após a agência homologar a venda para comprovar que tem condições de manter todas as suas linhas. Nos últimos meses, a companhia aérea deixou de operar várias rotas, que foram atendidas por outras empresas em um plano de contingência preparado pela Anac. Zuanazzi disse ainda que a autorização do órgão dependerá do cumprimento dos pré-requisitos exigidos pela agência e que não há prazo definido para isso.t
Fonte: Tribuna da Imprensa
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